nessun dorma e Tristão e Isolda - comparação e alguns comentários
Up to Y - Revista Online
nessun dorma e Tristão e Isolda - comparação e alguns comentários
Na passada sexta-feira não tive oportunidade de desenvolver muitos comentários sobre o nessun dorma. Não que hoje comente em abundância J. Deixo-vos, lado a lado, o texto da ária nessun dorma e o o apelo a que “não durmam mais” da canção céltica “Tristão e Isolda” já v. conhecida.
Fica também um link para uma interpretação do nessun dorma por Pavaroti. http://www.youtube.com/watch?v=O0Sx5lbVlQA&NR=1
A ária nessun dorma é parte da ópera Turandot de Puccini. Não me interessa tanto a história da própria ópera, que tem um sentido, explicito algo difrente daquele que aqui comentarei. Mas sim o sentido escondido que se pode descobrir.
Desde logo o apelo a que ninguém durma, logo um apelo ao despertar. A princesa, como fonte inspiradora desse despertat, na sua fria alcova – fria como a morte, pois alcova é onde dormimos, mas também onde repousa o nosso corpo já inerte e sem vida. Fria, como a kundaliní adormecida. Mas olha as estrelas, ou seja olha para cima, para o caminho da ascensão. Há um mistério, o nome que ninguém saberá. E como já o comentei com a nossa querida senescal, um qualquer dia longínquo, o trabalho da magia passa, em grande parte, pela descoberta do nome verdadeiro da coisas, pois todas as coisas, das menores às maiores, incluindo os deuses respondem pelo seu próprio nome. E aquele que conhece o nome verdadeiro de um ente, pode invocá-lo. Quem aqui quer proteger o nome, sobre a boca da amada o dirá. Com as juras de amor o nome lhe revelará. Aliás, como muitas lendas o vão referindo. É também assim que Osíris, o Shiva egípcio, revela o seu verdadeiro nome e é assassinado. Neste caso, tal revelação, o encontro entre o positivo e o negativo, entre o princípio masculino e o feminino, a noite desvanecerá, e pela manhã, ou seja pelo despertar, ocorrerá a vitória da consciência, da “luz resplandecente”.
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Nessun dorma Ninguém durma! ninguém durma!
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Tristão e Isolda
Deus da luz, que tornas as coisas verdadeiras e claras, Por favor, sê fiel e ajuda os meus companheiros, Pois não os vejo desde o crepúsculo E dentro em breve será madrugada.
Bons companheiros, se estão a dormir ou acordados, Não durmam mais, meus amos, por favor. Porque no céu do Oriente a estrela sobe, Aquela que anuncia o dia, que eu sabia que viria, E dentro em breve será madrugada.
Bons companheiros, o meu canto está a chamá-los, Não durmam mais, pois já oiço o pássaro cantar Enquanto olha o dia por entre os bosques.
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Querido Mestre
Os 2 poemas até poderiam juntar-se sequencialmente ficando ampliado o apelo ao despertar colectivo.
Ma o nessun dorma é mais forte no sentido que dá a esperança que a deusa ou princesa já a olhar para as estrelas trémulas de amor receba o beijo que a liberte do silêncio, ao mesmo tempo que ele também se liberte de morrer por não revelar o seu nome (ficaria shava).
Imagino mais a canção Tristão e Isolda como um pano de fundo do nessuna dorma, pois naquele há um último apelo ao despertar que alguns companheiros já não ouvem porque se perderam no crepúsculo ou foram devorados pelo tempo.
Um bom dia para si
SwáSthya
Cristina Pires
Discípula de João Camacho, Yôgachárya
Espaço Cultural – Ashram Pashupati
Cristina
Muito bonita e hábil a interpretação que faz e a percepção que tem do Tristão e Isolda. Na verdade, na sequência da história, tanto ela como Tristão, afundam-se no silêncio e não seguem a luz do crepúsculo. Aliás ela clama por companheiros já perdidos, que enveredaram pela senda da morte, sem conhecerem o retorno, sem já saberem retornar à luz. Até pró isso, o apelo de Isolda tem um valor acrescido. Apenas não tem o poder do apelo de Hórus. Hórus é o filho de Osíris. Filho que a amada de Osíris, pelo imenso amor que lhe tem, consegue conceber com ele, apesar de Osíris já estar morto e desmembrado e o seu corpo espalhado por todo o Egipto, para que não pudesse voltar a agregar-se, para que não pudesse renascer. Mas Hórus, um mestre iniciador, e filho de Osíris, diz-lhe:
- Escuta Osíris. Ouve.
- Acorda Osíris. Escuta, eu chamo-te. Vem, acorda Osíris.
E Osíris acorda, como um psicopompo. Agora um deus iniciado, senhor das trevas e filho da luz.
SwáSthya
João Camacho
Maravilhoso!
parabéns!Júlio Silva
Discípulo de João Camacho, Yôgachárya

