Mantra Vidya (3)
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O som, Shabda, manifesta-se de muitas formas, umas mais subtis, outras mais grosseiras, mas todas elas veículos da actuação de Parashaktí. Tudo o que é, move-se, e cada movimento é acompanhado de som, de vibração. Shaktí é a potência subjacente ao movimento, Shiva é o suporte. Shaktí corresponde ao plano sonoro de shabdabrahman, o som que não é afectado nem corrompido pelas inumeráveis formas (rupa) e nomes (nama) evolutivos que a Shaktí vai produzindo, incluindo a própria linguagem. Para que, o que vos digo, não sejam meros aspectos teóricos, é necessário desenvolver percepção, sensorial e extra-sensorial, através da purificação do corpo. O ouvido deve afinar-se; o coração deve purificar-se e estar aberto ao afecto, ao amor – sim, ao amor individual, louco, da paixão, de que vos falava, a propósito do filme O Tigre e o Dragão, mas também a um amor mais amplo e mais divulgado pelos santos homens e mulheres de todos os tempos; o tacto, a sensibilidade física ao toque, ao contacto, também deve desenvolver-se; o cheiro deve apurar-se; enfim, todo o corpo físico deve fluidificar para ganhar acuidade sensorial. E o desenvolvimento dessa acuidade é o primeiro passo para o surgimento dos siddhi que nos permitem outras percepções mais subtis.
O começar a perceber sons subtis, é um primeiro passo para a percepção do resto. Um dia destes, a um de vós, referi que, no que à evolução respeita, temos um chakra onde se escuta o som (anahata), não temos um onde se “vê a luz”. E naquele em que pareceria que assim é, não vê. É ele próprio luz, fonte de luz – sahásrára.
O tantrismo que tudo isto nos vai ensinando é uma fantástica e fascinante filosofia, muito para lá dos aspectos sexuais (sem os minimizar ou diminuir) e do maithuna (que é fantástico e proporciona, mais que não fosse, um sublime e supremo prazer). É uma filosofia profunda que nada tem de irracional. Apresenta-nos um sistema equilibrado: Shiva como consciência estática, Shaktí como consciência dinâmica. Também nos apresenta o mundo como algo de real, pois se o mundo é expressão das manifestações de Shaktí, se o mundo são construções (vikalpa) de Shaktí, então são aspectos da realidade última. A evolução, que produz a ilusão da transformação não real, é apenas consequência do movimento (spanda), do devir da Shaktí.
É o movimento que produz a tripartição que leva à ilusão de que o mundo não é real:
1 – som (shabda);
2 – objecto (artha);
3 - cognição (pratyaya).
E isto porque a evolução vai do subtil (paramshiva) ao grosseiro (ashuddha). Esta evolução, passa por cinco categorias de criação pura e trinta e uma de criação impura, que não desenvolverei.
João Camacho
Discípulo de Shrí DeRose
Sou irmão de dragões e companheiro de corujas.
Querido Mestre,
A leitura dos seus textos além de proveitosa em termos do conhecimento transmitido, tem algo de mágico, é como estar na sua presença, nalguns trechos estou a ouvi-lo nos seminários, outros são total novidade, e globalmente incentivam a abhyása, e este ou aquele aspecto focado parece que no-lo envia na altura em que dele precisamos.
Um beijo
SwáSthya
Cristina Pires
Discípula de João Camacho, Yôgachárya

