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Como a humanidade trata os seus luminares

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Como a humanidade trata os seus luminares

Posted by João Camacho at August 28. 2009

Meus queridos

 

          Shrí DeRose, no seu blog, há uns meses atrás, foi dando exempos de sábios que foram perseguidos, ridicularizados, agredidos, despedidos, desconsiderados, pelas descobertas revolucionárias que iam fazendo nos mais diversos domínios do conhecimento. Vou citar um texto que aponta mais umas quantas situações dessas. Cito-o do livro "O Despertar dos Mágicos" de Louis Pauwells e Jacques Bergier. Este livro tem marcado e impressionado várias gerações. Publicado pela primeira vez em 1960 em França, continua actual nas suas preposições, na reflexão e análise que faz, seguindo um método que chama de Realismo Fantástico. Recentemente, a Bertrand Editora lançou mais uma edição deste livro. Em comentários posteriores falar-vos-ei dos autores e deste livro, cuja leitura aconselho vivamente. Fica a citação, que se refere a uma época situada no fim do séx. XIX e início do séc. XX:

 

          Um alemão, cujo nome era Zeppelin, de regresso ao seu país após ter combatido nas fileiras sulistas, tentou interessar alguns industriais pela direcção dos balões. Desgraçado! Não sabe então que há três assuntos a respeito dos quais a Academia das Ciências francesa já não admite que se fale: a quadratura do círculo, o túnel sob a Mancha e a direcção dos balões. Outro alemão, Herman Gaswindt, propunha construir máquinas voadoras mais pesadas que o ar, propulsionadas por foguetões. Sobre o quinto manuscrito, o ministro da guerra alemão, depois de ouvir a opinião dos técnicos, escreveu, com a suavidade da sua raça e do seu cargo: «Quando será que esta ave agoirenta morrerá de vez!»

          Os Russos, esses tinham-se desembaraçado de outra ave agoirentea, Kibaltchich, igualmente partidário das máquinas voadoras com foguetões. Pelotão de execução. É verdade que Kibaltchich se servira das suas qualidades de técnico para fabricar uma bomba que acabava de reduzir a pedacinhos o imperador Alexandre II. Mas não havia motivos para expor no pelourinho o professor Langley do Smithsonian Institute americano, o qual propunha máquinas voadoras accionadas pelos motores de explosão de fabrico muito recente. Desonraram-no, arruinaram-no, expulsaram-no do Smithsonian. O professor Simon Newcomb demonstrou matematicamente a impossibilidade do mais pesado que o ar. Alguns meses antes da morte de Langley, que morria de desgosto, um garoto inglês regressou um dia da escola a soluçar. Mostrara aos camaradas a fotografia de uma «maquette» que Langley acabava de enviar a seu pai. Proclamara que os homens acabariam por voar. Os camaradas tinham feito troça. E o professor dissera: «Meu amigo, será caso que o seu pai seja um idiota?» O pressuposto idiota chamava-se Herbert George Wells.

(...)

      Turpin, que inventou a melinite, foi imediatamente internado num manicómio. Os inventores dos motores de explosão sentem-se desencorajados e tenta-se provar que as máquinas eléctricas não passam d formas do movimento perpétuo. É a época dos grandes inventores isolados, revoltados, escondidos. Hertz escreve à Câmara do Comércio de Dresde dizendo que é necessário desencorajar as pesquisas relativas às ondas «hertzianas»: não é possível a menor aplicação prática. Os peritos de Napoleão III provam que o dínamo de Gramme nunca girará.

       Quanto aos primeiros automóveis, ao submarino, ao dirigível, à luz eléctrica (uma aldrabice desse maldito Edison!), as doutas academias não se incomodam. A esse respeito há uma página imortal. É o relato da recepção do fonógrafo na academia das Ciências de Paris. «Assim que o aparelho emitiu algumas palavras, o Secretário Perpétuo precipita-se sobre o impostor e aperta-lhe a garganta com pulso de ferro. - Vocês vão ver!» - disse aos seus colegas. Mas, perante o assombro geral, o aparelho continuou a emitir sons.»

Pauwels & Bergier, O Despertar dos mágicos  

 

 

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