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Mantra vidya (4)

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Mantra vidya (4)

Posted by João Camacho at December 11. 2009

 

                  O som articulado, mesmo aquele que usamos para produzir palavras, para falarmos uns com os outros é - como também sabem da doutrina do mantravaikhari. De vaikhari manifestam-se as letras (varna); as sílabas (pada) e as frases (vákya). Nada e bíndu são complementos da última potência da criação. Nada, bíndu e bíja costumam manifestar-se juntos. Destes saem os tribindu ou kámakála, a raiz de todos os mantra. Os tribíndu são o branco (sita), o vermelho (shôna) e o misto (mishra). Os tribindu têm várias correspondências, como a lua, o fogo e o sol; ou a vontade, (icchá), conhecimento (jñana) e acção (kriyá), etc.

                         Ensinam os shástra que shabda tem a natureza das letras (varna) e dos sons (dhvani). Ora vak é falar. Mas tem a dupla significação de ser o falar, mas também o som dos objectos inanimados. Vak tem um significado parecido com o de shabda. Mas vak é mais um efeito do que uma causa. Shabda, tendo a natureza das letras e dos sons, é-lhes prévio.

                        Plotino, filósofo, ensinava que no Universo as coisas movem-se e atraem-se por amor. Os planetas mantém-se em sistemas, com órbitas definidas, mas interligadas, por amor. As pessoas, os homens, as mulheres, aproximam-se e vivem juntos, em família, em grupo, em sociedade, também por amor. Ensinava, Plotino, tal coisa tão bonita. Acontece que quando aprofundamos o estudo do som, o estudo das palavras de poder, o estudo do mantra e do Tantra, descobrimos que na origem dos sons está o desejo cósmico (káma) ou a vontade (iccha). É o desejo ou a vontade, do Um primordial se transmutar em múltiplos de si próprio. E é esse o desejo que anima também, nos planos menos subtis, entre outras coisa, o amor e o desejo sexual. É esse desejo, manifesto através da vibração inicial, que dá origem ao som, ao mantra. Também por isso, muitas tradições tinham e têm, o vishuddha chakra, como o criador por excelência. Desejo e procriação terrestre, humana, são manifestações, limitadas, é certo, do impulso inicial. Também por isso, a sentimento de quase total realização da mulher que se sente grávida e que dá à luz.

                         Ora, o som do movimenteo inicial, no princípio dos tempos, na aurora da diferenciação, é, como acima já vimos o ÔM. Nos seres humanos a cognição, os objectos e o nome dos objectos, aparecem como três realidades distintas. Mas são tão só três manifestações eficazes do movimento, do impulso inicial.

                         Ora a diferenciação entre as manifestações grosseiras do som e as subtis, a percepção das manifestações mais altas (atindriya) só são percebidas pelos Yôgis desenvolvidos. Os Yôgis vêem, apreendem. O kama-manas do Yôgi apreende os objectos subtis, de modo global, numa experiência de identificação, onde não há nem o sujeito, nem o objecto - nyása[iii]. Ora, a apreensão de uma imagem ou objecto (artha) evocado por uma palavra (shabda) é, verdadeiramente, cognição (pratyaya). Como se vê, aquilo que, ao ser humano comum, surge como três manifestações distintas, é para o Yôgi uma só coisa.

 

João Camacho

Discípulo de Shrí DeRose

 

Sou irmão de dragões e companheiro de corujas.

 

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