Dos agentes de ensino e do ensinamento do Yôga (I)
Up to Y - Revista Online
Vou deixar-vos, neste e em próximos comentários, algumas notas sobre este tema - as características de um Mestre de Yôga e da relação entre este e os discípulos. Deixo-vos uma citação de Iyengar sobre este tema e, também, sobre a arte de ensinar Yôga.
É relativamente fácil ensinar um assunto académico, mas ensinar uma arte é mais difícil e ensinar o Yôga é ainda mais difícil porque os professores de Yôga devem criticar a sua própria prática e corrigi-la. A arte do Yôga é inteiramente subjectiva e prática. Os professores de Yôga devem conhecer todos os mecanismos do corpo; eles devem conhecer o comportamento das pessoas que venham a encontrar, saberem como reagir e estarem prontos a ajudar, proteger e defender os seus alunos.
As qualidades necessárias para ensinar são numerosas, mas quero enumerar-vos algumas de modo a que as entendam todas, que as compreendam e que as trabalhem. Por conseguinte podereis descobrir muitas outras. Um agente de ensino deve ser claro, inteligente, confiante, estimulante, atento, prudente, construtivo, corajoso, compreensivo, criativo, inteiramente consagrado e dedicado ao estudo do que ensina, prevenido, consciencioso, crítico, arregimentado, alegre, casto e calmo. Os agentes de ensino devem ser fortes e positivos na sua maneira de ensinar. Devem ser afirmativos para criarem confiança nos alunos e negativos no seu foro interior para poderem reflectir de forma crítica sobre as suas próprias práticas e atitudes. Os professores não devem jamais parar de aprender. Aprendem com os seus alunos e devem ter a humildade de lhes dizerem que não chegaram ao fim da aprendizagem da sua arte.
A relação entre o mestre e o discípulo é comparável à que existe entre o marido e a esposa, entre o pai e o filho. É uma relação muito rica e muito complexa. Como na relação entre marido e mulher, que é uma relação de intimidade, os mestres devem fazer todos e os mais ardentes esforços para impedir os discípulos de caírem e ajudá-los ao longo de toda a sua prática.
(...)
Uma avenida de dois sentidos une discípulo e mestre implicando amor, admiração, dedicação e devoção.
Iyengar, L’Arbre du Yôga, pp. 218-219.
João Camacho
Discípulo de Shrí DeRose
Sou irmão de dragões e companheiro de corujas.

